O Crescente Vermelho Egípcio (ERC) enviou, domingo, seis mil e 700 toneladas de ajuda humanitária, incluindo quatro mil e 900 de cestas básicas e farinha, mil e cem de combustível e milhares de itens de assistência para o inverno, para a Faixa de Gaza, informou o jornal Ahram online.
A iniciativa, promovida no âmbito do seu 108º comboio “Zad Al-Izza… Do Egipto para Gaza”, incluiu mais de 500 toneladas de suprimentos de socorro, cerca de 200 de itens de higiene pessoal e produtos petrolíferos para apoiar serviços essenciais.
Em resposta às severas condições climáticas, o ERC também enviou assistência adicional de inverno, incluindo mais de 1.300 cobertores, mais de 25.000 peças de roupa de inverno e mais de 300 barracas para abrigar famílias desabrigadas.
A resposta humanitária do Egipto à Faixa de Gaza evoluiu para a maior e mais prolongada operação da história moderna, estendendo-se por mais de 760 dias consecutivos desde o início da guerra de Israel em Outubro de 2023.
Actuando por meio do ERC como seu mecanismo nacional de coordenação, o Egipto entregou mais de 780 mil toneladas de ajuda humanitária em Gaza através das passagens de Rafah e Karm Abu Salem, apesar das severas restrições de segurança e do bloqueio israelita em curso.
A operação foi apoiada por uma rede logística nacional e uma força de voluntários com mais de 35 mil membros, entre homens e mulheres.
Além disso, o Egipto coordenou o fluxo de ajuda com 59 países, recebendo 943 voos de ajuda humanitária e 617 remessas marítimas.
A assistência prestada incluiu suprimentos alimentares, farinha, pão fresco, fórmula infantil, tendas, medicamentos, equipamentos médicos, combustível e itens de socorro para o inverno, além da disponibilização de 214 ambulâncias, a implantação de quatro hospitais de campanha e o fornecimento de cerca de 91 mil toneladas de combustível para abastecer hospitais e serviços essenciais dentro da Faixa de Gaza.
Desde 27 de Julho, o Egipto intensificou as operações em terra por meio da iniciativa “Zad Al-Izza…”, enviando sucessivos comboios que transportaram mais de 234 mil toneladas de ajuda humanitária.
Na sexta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, instou Israel de reverter a sua decisão de proibir agências humanitárias de operar em Gaza, alertando que a medida agravaria uma crise já grave.
Em um comunicado, o seu porta-voz disse que Guterres estava “profundamente preocupado”, ressaltando que as ONG internacionais são essenciais para a ajuda humanitária que salva vidas e que a suspensão do seu trabalho corre o risco de comprometer os frágeis avanços conquistados durante o cessar-fogo.
Israel suspendeu quinta-feira 37 organizações humanitárias estrangeiras depois que estas se recusaram a apresentar às autoridades listas de funcionários palestinos.
A proibição inclui a organização Médicos Sem Fronteiras, que emprega cerca de 1.200 funcionários nos territórios palestinos, a maioria em Gaza.
As ONG afectadas receberam ordens para interromper as suas operações até 1º de Março.
Diversas organizações afirmaram que as exigências violam o direito internacional humanitário e comprometem a sua independência, enquanto 18 ONG israelitas de esquerda condenaram a decisão por infringir os princípios fundamentais de neutralidade e independência.
As autoridades de Gaza afirmam que mais de 70 mil pessoas foram mortas e 174 mil ficaram feridas desde o início da guerra em Outubro de 2023, com quase 80% dos edifícios danificados ou destruídos.
Cerca de 1,5 milhão dos mais de dois milhões de habitantes de Gaza foram deslocados, segundo ONG palestinas.
