Jornalista, diplomata e patriota, Manuel Augusto dedicou décadas ao serviço da República, deixando um legado reconhecido por Angola e por África.
A presença de uma delegação enviada pelo Presidente Félix Tshisekedi no seu funeral testemunhou a dimensão continental de uma figura que ajudou a fortalecer as relações entre Estados, a promover o diálogo e a afirmar a diplomacia angolana no cenário internacional.

A morte de Manuel Domingos Augusto representa uma perda que ultrapassa os limites da política e da diplomacia.
Angola despede-se de um dos seus mais respeitados filhos, um homem cuja vida foi dedicada ao serviço da República, à construção da paz, ao fortalecimento das instituições e à projecção internacional do país.A sua partida deixa um vazio profundo na sociedade angolana, mas também um legado que continuará a inspirar gerações futuras. Poucos homens conseguiram reunir numa única trajectória profissional as qualidades de jornalista, diplomata, dirigente político e servidor público com a dimensão alcançada por Manuel Augusto.

Antes de se tornar uma das figuras mais influentes da diplomacia angolana, Manuel Augusto iniciou o seu percurso no jornalismo. Foi nos meios de comunicação que desenvolveu uma visão crítica da realidade nacional e internacional, adquirindo uma profunda compreensão dos acontecimentos políticos, sociais e económicos que moldavam Angola e o continente africano.
Essa experiência viria a revelar-se fundamental na sua carreira diplomática.
A capacidade de análise, o domínio da comunicação e o conhecimento das dinâmicas internacionais transformaram-no numa das vozes mais respeitadas da política externa angolana.
Ao longo de décadas de serviço ao Estado, ocupou importantes funções governativas e diplomáticas, culminando com o cargo de Ministro das Relações Exteriores.
Nessa qualidade, desempenhou um papel determinante na consolidação da presença de Angola nos principais fóruns internacionais, contribuindo para reforçar a credibilidade do país e para afirmar a sua influência no continente africano.
A sua acção diplomática foi particularmente importante num período em que Angola procurava fortalecer a sua posição regional e aprofundar as relações com países vizinhos e parceiros estratégicos.
Entre essas relações, destacou-se a cooperação com a República Democrática do Congo, um país com o qual Angola partilha não apenas uma extensa fronteira, mas também uma história comum marcada por desafios, solidariedade e interesses convergentes.
Ao longo dos anos, Luanda e Kinshasa construíram uma relação diplomática de grande relevância para a estabilidade da África Central e da região dos Grandes Lagos. Manuel Augusto esteve entre os protagonistas desse processo, contribuindo para o fortalecimento do diálogo político, da cooperação bilateral e dos mecanismos de concertação entre os dois Estados.Foi precisamente essa dimensão do seu legado que ficou evidente durante as cerimónias fúnebres realizadas em Luanda, onde estiveram presentes altas entidades do Estado, representantes do corpo diplomático, dirigentes políticos, familiares, amigos e cidadãos que quiseram prestar a última homenagem ao antigo ministro.
Entre as delegações estrangeiras presentes destacou-se a representação oficial da República Democrática do Congo, enviada pelo Presidente Félix Tshisekedi.
A delegação foi liderada pelo Embaixador Itinerante Antoine Ghonda mangalibi, mandatado para representar pessoalmente o Chefe de Estado congolês naquele momento de despedida.

Durante a cerimónia, Antoine Ghonda transmitiu uma mensagem carregada de simbolismo político e humano.
Nas suas palavras, afirmou tratar-se de um momento de recolhimento e gratidão, sublinhando que Manuel Augusto “cumpriu bem a sua missão na Terra”, razão pela qual o Presidente Félix Tshisekedi decidiu enviar uma representação oficial para participar na última despedida daquele que descreveu como um filho de Angola.
Mais do que uma homenagem protocolar, a presença da delegação congolesa constituiu uma demonstração clara do respeito conquistado por Manuel Augusto junto dos líderes africanos.
As palavras de Antoine Ghonda traduziram o reconhecimento de uma carreira marcada pelo diálogo, pela cooperação e pela construção de pontes entre povos e nações.
O reconhecimento do seu legado não se limitou, porém, ao plano internacional.
Em Angola, as homenagens partiram dos mais altos níveis do Estado, com destaque para a mensagem de condolências do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço.

Na sua mensagem, o Chefe de Estado destacou o contributo de Manuel Augusto para a causa nacional ao longo de várias décadas, recordando o seu empenho em momentos decisivos da história do país.
João Lourenço reconheceu o trabalho desenvolvido pelo antigo ministro na defesa dos interesses de Angola e na afirmação da sua diplomacia, considerando que a sua trajectória constitui um exemplo de dedicação, patriotismo e sentido de missão.

O Presidente da República salientou ainda que o legado deixado por Manuel Augusto deve servir de inspiração para a juventude angolana. Numa época em que o país enfrenta novos desafios de desenvolvimento, o percurso do antigo diplomata demonstra que o compromisso com a pátria, a competência profissional e a dedicação ao bem comum continuam a ser valores fundamentais para a construção de uma nação forte e respeitada.
A dimensão das homenagens prestadas dentro e fora do país reflecte a estatura de um homem que dedicou a sua vida ao serviço de Angola. Jornalista por formação, diplomata por vocação e patriota por convicção, Manuel Augusto pertence ao grupo restrito de personalidades cuja influência ultrapassa os cargos que ocuparam.
A sua obra permanecerá viva nas relações internacionais que ajudou a consolidar, nas instituições que ajudou a fortalecer e na memória daqueles que acompanharam a sua trajectória.
Hoje, Angola não chora apenas a morte de um antigo ministro. Chora a partida de um dos seus mais destacados homens de Estado, de um diplomata respeitado em África, de um jornalista comprometido com a verdade e de um cidadão que colocou os interesses da República acima de qualquer ambição pessoal.
Os grandes homens não desaparecem quando partem.
Permanecem vivos na história que ajudaram a construir.E a história de Manuel Augusto continuará para sempre ligada à afirmação de Angola no mundo, ao fortalecimento da diplomacia africana e à construção de pontes de entendimento entre povos e nações.
Que a sua memória permaneça como exemplo para as gerações presentes e futuras.
