O Chefe de Estado angolano, João Lourenço, exigiu, esta sexta-feira, a libertação imediata do antigo líder do Níger, Mohamed Bazoum, e do político guineense e presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, detidos no quadro das acções de tomada de poder de forma inconstitucional no continente.
O Presidente da República falava durante a Cerimónia de apresentação de Cumprimentos de Ano Novo do Corpo Diplomático e das Organizações Internacionais acreditados em Angola, tendo se manifestado contra este fenómeno que tem vindo a aumentar no continente.
No mesmo discurso, João Lourenço manifestou-se, contudo, esperançoso de que, no novo ciclo que se inicia no presente ano, haja um reforço do diálogo político e um renovar do multilateralismo.
O Chefe de Estado angolano alertou ainda para a fragilidade democrática em África, afirmando que os desafios do continente exigem respostas rápidas, coordenadas e multidimensionais, que integrem o desenvolvimento económico, a inclusão social, a boa governação e o reforço das capacidades institucionais dos Estados.
Segundo João Lourenço, esta abordagem contribui para neutralizar os argumentos utilizados pelos promotores de mudanças inconstitucionais de poder, numa altura em que se observa uma recorrência preocupante de golpes de Estado em vários países africanos, defendendo por isso o reforço das medidas de desencorajamento e condenação destas práticas.
João Lourenço manifestou também preocupação com o que considerou ser um “retrocesso assustador” das conquistas democráticas a nível global, criticando o enfraquecimento das Nações Unidas e a desvalorização intencional das suas responsabilidades.
Alertou que a substituição da “força da lei pela lei da força”, bem como a adopção de “dois pesos e duas medidas” nas relações internacionais, representam sérias ameaças à paz e à estabilidade mundiais.
Defendendo o multilateralismo como a única via para restaurar a ordem internacional, o Presidente reafirmou o papel central das Nações Unidas enquanto garante da paz, da segurança e da estabilidade globais, alertando para os riscos de redefinição de fronteiras em várias regiões do mundo.
João Lourenço reconheceu o trabalho desenvolvido pelas missões diplomáticas e pelas organizações internacionais acreditadas em Angola e reiterou a total disponibilidade do país para cooperar na construção de um mundo de paz, justiça, concórdia e respeito mútuo.
