A província de Benguela enfrenta uma das mais graves crises humanitárias dos últimos tempos, na sequência de chuvas intensas que provocaram o transbordo do rio Cavaco, resultando em mortes, destruição de infraestruturas e milhares de famílias sem abrigo.

De acordo com dados avançados pelas autoridades locais e pelos serviços de proteção civil, mais de 10 mil pessoas ficaram desalojadas. O balanço aponta ainda para pelo menos 8 mortos e 7 desaparecidos, além de mais de 3.600 pessoas resgatadas durante as operações de emergência. No total, mais de 9 mil famílias foram afetadas direta ou indiretamente pela tragédia.

A origem da situação está ligada à combinação de chuvas intensas com a ruptura de um dique, o que levou ao transbordo do rio Cavaco e à inundação de várias zonas habitacionais, sobretudo áreas mais vulneráveis e construídas em zonas de risco.

Os danos materiais são significativos. Centenas de habitações foram destruídas, deixando famílias inteiras sem qualquer abrigo. Infraestruturas importantes também foram afetadas, incluindo pontes, sistemas de abastecimento de água, energia e vias de acesso, o que tem dificultado as operações de socorro e assistência.Milhares de pessoas encontram-se atualmente acolhidas em centros provisórios, como escolas, igrejas e espaços improvisados. Um dos principais centros de acolhimento alberga cerca de 4.500 pessoas, onde foram montadas cozinhas comunitárias e assegurada assistência médica básica.

Ainda assim, persistem dificuldades relacionadas com a falta de alimentos, escassez de água potável e condições sanitárias precárias.

As autoridades provinciais, em coordenação com os serviços de proteção civil e bombeiros, continuam a mobilizar equipas no terreno para operações de resgate, distribuição de ajuda e avaliação de danos. Trabalhos de emergência estão em curso para reparar a estrutura do dique danificado e evitar novas inundações.

O Presidente da República, João Lourenço, deslocou-se à província de Benguela para acompanhar de perto a situação e reforçar a resposta institucional face à dimensão da tragédia.

Apesar de uma ligeira melhoria das condições meteorológicas, o risco continua elevado.

O solo permanece saturado e há receios de novas inundações, bem como de surtos de doenças nos centros de acolhimento, devido às condições precárias.

A situação tem gerado apelos à solidariedade nacional e internacional, com organizações e entidades a solicitarem apoio urgente para as famílias afetadas.

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