Governo alerta para grave situação de analfabetismo no país

República Democrática do Congo (RDC), considerada um dos maiores países francófonos do mundo em número de falantes da língua francesa, enfrenta uma profunda contradição social e educacional.

No dia 27 de abril, em Kinshasa, a ministra dos Assuntos Sociais, Ève Bazaiba, alertou que cerca de 23 milhões de congoleses não sabem ler nem escrever, revelando a dimensão de uma crise que afeta diretamente o desenvolvimento do país.

A declaração foi feita durante uma intervenção oficial no âmbito de questões sociais, perante autoridades institucionais e representantes da sociedade civil.

Um dos maiores desafios educacionais da África

Os dados apresentados e estimativas de organismos internacionais indicam:

Cerca de 23 milhões de pessoas analfabetas numa população superior a 100 milhões Taxa de analfabetismo estimada entre 27% e 30% Forte desigualdade de género: 41% das mulheres afetadas contra 21% dos homens Segundo relatórios da UNESCO e observatórios educacionais, a RDC continua entre os países com maiores desafios de alfabetização na África Subsaariana.

Uma contradição no mundo francófono

Apesar da sua posição de destaque no espaço francófono, a RDC vive uma realidade paradoxal.

O país é frequentemente citado como um dos maiores países francófonos do mundo em número de falantes de francês, mas enfrenta níveis elevados de analfabetismo, o que limita o acesso real da população à leitura, escrita e comunicação formal.

Esta contradição evidencia um problema estrutural: a coexistência de uma forte presença da língua francesa com uma grande exclusão educacional.

Evolução lenta dos indicadores

As tendências mostram melhorias graduais ao longo dos anos:

Início dos anos 2000: cerca de 33% de Analfabetismo por volta de 2014: aproximadamente 27% 2017: taxa de alfabetização estimada em 77,3%

No entanto, o crescimento demográfico rápido reduz o impacto dessas melhorias, mantendo um número absoluto muito elevado de pessoas analfabetas.

Principais causas do analfabetismo

Entre os fatores que explicam a persistência do problema destacam-se:

• insuficiência de infraestruturas escolares • pobreza das famílias

• abandono escolar precoce

• casamentos precoces, sobretudo entre raparigas

• instabilidade em algumas regiões do país • desigualdade entre zonas rurais e urbanas

As mulheres continuam mais afetadas

O analfabetismo afeta de forma mais acentuada as mulheres, limitando o seu acesso à educação, ao mercado de trabalho e à autonomia económica.
Especialistas sublinham que a educação das raparigas é um dos principais fatores para reduzir a pobreza e impulsionar o desenvolvimento sustentável das famílias.

Um desafio central para o desenvolvimento nacional

A alfabetização é considerada um pilar essencial do desenvolvimento humano. Ela influencia diretamente:

• crescimento económico

• saúde pública

• empregabilidade

• participação cidadã

• redução das desigualdades sociais

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