O Presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e o Presidente da França, Emmanuel Macron, realizaram esta terça-feira, 13 de maio, consultas informais na sede da União Africana, em Addis Abeba, para discutir temas africanos e internacionais de interesse comum, num encontro marcado por forte convergência de posições sobre os principais desafios globais e continentais.
Durante a reunião, os três líderes reafirmaram o seu compromisso com o multilateralismo como instrumento essencial para enfrentar desafios contemporâneos relacionados com a paz e segurança internacionais, o desenvolvimento sustentável, as alterações climáticas e as vulnerabilidades económicas globais.
No centro das discussões esteve também a necessidade de uma governação internacional mais representativa e inclusiva, com destaque para a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Neste contexto, os dirigentes reconheceram a urgência de assegurar uma representação africana justa e coerente com o espírito do Consenso de Ezulwini e da Declaração de Sirte, documentos fundamentais que traduzem a posição comum africana sobre a reforma das instituições multilaterais.
Os responsáveis reafirmaram igualmente a centralidade das soluções africanas para as crises que afetam o continente, defendendo o fortalecimento de uma parceria equilibrada entre a União Africana e as Nações Unidas. Sublinharam, neste sentido, a necessidade de reforçar a coordenação do apoio internacional aos esforços africanos de prevenção de conflitos, mediação diplomática e operações de apoio à paz.Um dos pontos-chave do encontro foi a reafirmação do compromisso com a Resolução 2719 (2023) do Conselho de Segurança da ONU, considerada um avanço estrutural no aprofundamento da cooperação entre a União Africana e as Nações Unidas em matéria de paz e segurança.
Os líderes defenderam a implementação efetiva desta resolução, com vista a garantir um financiamento mais previsível, sustentável e duradouro das missões africanas de apoio à paz. Concordaram igualmente em apoiar a realização de exercícios de simulação destinados a testar, de forma concreta, os mecanismos de aplicação da resolução.
No domínio económico e do desenvolvimento, os três dirigentes comprometeram-se a impulsionar a mobilização internacional em torno das prioridades africanas ligadas à paz, resiliência e crescimento sustentável. Como resultado, acordaram trabalhar na organização de uma conferência internacional de mobilização de recursos do setor privado para o Fundo para a Paz da União Africana, à margem do Fórum de Paris sobre a Paz, agendado para os dias 11 e 12 de novembro de 2026, em Paris.
Relativamente à situação no Médio Oriente, os líderes reafirmaram o seu apego aos princípios da Carta das Nações Unidas, especialmente no que diz respeito ao respeito pela soberania dos Estados, à integridade territorial e à resolução pacífica de conflitos.
Manifestaram ainda preocupação com os impactos económicos, energéticos e alimentares que o atual conflito naquela região poderá provocar em África, particularmente no fornecimento de hidrocarbonetos e fertilizantes, com potenciais consequências graves para a segurança alimentar, estabilidade macroeconómica e coesão social dos países africanos mais vulneráveis.
Perante este cenário, apelaram ao reforço da solidariedade internacional para mitigar os efeitos deste choque externo sobre a segurança alimentar do continente. Os três dirigentes acordaram examinar a implementação de medidas de emergência, sob liderança africana, destinadas a proteger os Estados mais vulneráveis face às perturbações nos mercados globais de fertilizantes.
A França indicou ainda que esta questão será igualmente abordada durante as discussões económicas do próximo Cimeira do G7, prevista para os dias 15, 16 e 17 de junho, em Évian.
Ao concluir o encontro, o Presidente da Comissão da União Africana, o Secretário-Geral das Nações Unidas e o Presidente da República Francesa reiteraram a sua determinação em promover respostas coletivas, solidárias e duradouras aos desafios de paz, segurança e desenvolvimento que afetam África e a ordem internacional.
