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Mais de 450 mil crianças em risco de desnutrição no Sudão do Sul

Mais de 450 mil crianças correm risco de desnutrição aguda no estado de Jonglei, no Sudão do Sul, devido à piora da violência que tem provocado deslocações em massa e a interrupção de serviços críticos de saúde e nutrição.

De acordo com a ONU News, o alerta foi feito pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, na terça-feira, em Juba e Nova Iorque.

Segundo o Unicef, desde o início de 2026, confrontos violentos em Jonglei terão provocado o deslocamento de pelo menos 250 mil pessoas, sobretudo nas regiões norte e central do estado. As áreas afectadas registam alguns dos níveis mais elevados de desnutrição infantil no país.

A representante do Unicef no Sudão do Sul, Noala Skinner, manifestou profunda preocupação com o impacto da violência sobre mulheres e crianças. Sublinhou que uma criança desnutrida sem tratamento tem uma probabilidade 12 vezes maior de morrer.

A agência apelou a todas as partes envolvidas para cessarem as hostilidades e garantirem acesso humanitário rápido, seguro e sem impedimentos às populações deslocadas e vulneráveis.

A entrega de ajuda de emergência tem sido severamente dificultada por restrições ao transporte fluvial, aéreo e rodoviário, limitando a capacidade das agências humanitárias de alcançar as populações necessitadas.

Seis condados do estado de Jonglei já enfrentam ou estão próximos de esgotar os seus stocks de alimentos terapêuticos, essenciais para o tratamento de crianças com desnutrição severa.

Em todo o país, o Unicef registou o encerramento de 17 unidades de saúde devido ao conflito, com a suspensão dos serviços de nutrição associados. Foram também reportados dez incidentes de roubo de suprimentos de saúde e nutrição, cinco dos quais em Jonglei.

Apesar das limitações de acesso, a Unicef continua a responder à crise. Foram enviados equipamentos de purificação de água, baldes e sabão para o condado de Duk, onde existem preocupações com um possível surto de cólera.

No condado de Akobo, a agência distribuiu medicamentos contra a malária, alimentos terapêuticos para crianças desnutridas e kits de saúde de emergência destinados a apoiar mais de 10 mil pessoas.

Num contexto regional mais amplo, representantes da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho alertaram para a grave situação humanitária no Sudão.

Segundo Pierre Kremer, director regional Adjunto para África, assinalam-se 100 dias desde a escalada do conflito em El Fasher, após 500 dias de cerco à cidade.

O responsável afirmou que civis continuam a pagar o preço mais alto com relatos de mortes, destruição de casas, separação de famílias, violência sexual contra mulheres e meninas e deslocações forçadas em larga escala.

O acesso humanitário permanece extremamente limitado, com milhares de pessoas fora do alcance da assistência, incluindo na região de Cordofão.

Desde o início do conflito no Sudão, 21 voluntários foram mortos. A Cruz Vermelha reiterou a necessidade de proteger civis e trabalhadores humanitários e de garantir acesso seguro para que as organizações humanitárias possam prestar assistência e salvar vidas.

voja24 .

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