Irão, Israel, Estados Unidos : quando sobreviver ao império já se torna uma vitória
Por vezes, na história das nações, a vitória não pertence àquele que golpeia com mais força, mas sim àquele que se recusa a cair.
Esta é uma das grandes lições que a geopolítica moderna nos ensina as guerras contemporâneas já não se vencem apenas no campo de batalha, no ruído dos mísseis, nem na potência mecânica dos bombardeiros. Elas vencem-se também e muitas vezes sobretudo na capacidade de um Estado preservar a sua existência política, manter de pé o seu aparelho institucional e sobreviver tempo suficiente para transformar a sua resistência numa vitória narrativa.
Sob esse prisma, apesar das destruições sofridas, apesar dos ataques combinados do exército israelita e do poderio militar americano, apesar das perdas humanas e dos danos estratégicos registados no seu território, o Irão pode hoje sustentar, sem exagero retórico, que sai politicamente fortalecido deste confronto.
Tal afirmação poderá chocar os espíritos mais superficiais, aqueles que ainda confundem poder militar com sucesso estratégico. Porque, à primeira vista, as imagens parecem contar outra história : infraestruturas atingidas, instalações bombardeadas, cidades em tensão, população ferida. Porém, a geopolítica nunca se lê à superfície dos acontecimentos. Ela exige uma leitura fria, distante, desprovida da emoção imediata.
E quando observamos os factos com elevação, uma realidade impõe-se:
Israel e os Estados Unidos demonstraram a sua força; o Irão, por sua vez, demonstrou a sua resiliência.
Ora, nas relações de força internacionais, a resiliência perante um adversário superior constitui, por vezes, uma vitória mais importante do que um sucesso tático.
Uma guerra que deveria humilhar, mas que não conseguiu quebrar
Quando Washington e Telavive entraram nesta confrontação, o seu objetivo implícito não era simplesmente bombardear o Irão por bombardear. Uma campanha militar só faz sentido se visar um resultado político enfraquecer duradouramente o adversário, constrangê-lo à submissão, forçá-lo a ceder, ou até provocar o seu colapso estratégico.