Nairóbi – A União Africana (UA) reiterou esta segunda-feira a sua posição firme e unificada em defesa de uma reforma profunda do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), exigindo a correção do que considera uma “injustiça histórica” na arquitetura da governação mundial.

A posição foi reafirmada pelo presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, durante a Reunião Ministerial sobre a Reforma do Conselho de Segurança da ONU, realizada à margem da Cimeira África-França, em Nairóbi, no Quénia.
Na sua intervenção, Mahmoud Ali Youssouf destacou que África já não pode continuar excluída da representação permanente no órgão mais poderoso das Nações Unidas, apesar do peso demográfico, político e económico do continente.“África não está a pedir um favor; África está a exigir a correção de uma injustiça histórica”, declarou o responsável africano, reforçando a necessidade urgente de tornar o sistema internacional mais justo e representativo das realidades atuais.

A posição africana continua assente no Consenso de Ezulwini e na Declaração de Sirte, documentos que definem a visão comum do continente para a reforma do Conselho de Segurança. Entre as principais reivindicações está a atribuição de pelo menos dois assentos permanentes para África, com todos os privilégios, incluindo o direito de veto enquanto este existir, além de cinco assentos não permanentes num Conselho alargado.
Segundo Mahmoud Ali Youssouf, a legitimidade e a credibilidade do Conselho de Segurança dependem da sua capacidade de refletir o mundo contemporâneo, e não a ordem geopolítica herdada de 1945, quando a ONU foi criada.

O presidente da Comissão da UA saudou igualmente o apoio manifestado por França, Quénia e Serra Leoa ao chamado “Modelo Africano” para a reforma, apelando a uma coordenação política mais robusta, alianças estratégicas e ações concretas para transformar o crescente consenso internacional em mudanças efetivas.
Para o dirigente africano, a recente entrada da União Africana como membro permanente do G20 demonstra que as instituições globais podem evoluir e adaptar-se, tornando-se mais inclusivas e alinhadas com os desafios do presente.
A reivindicação africana pela reforma do Conselho de Segurança tem ganho novo impulso nos últimos anos, num contexto em que cresce a pressão internacional por uma governação global mais equilibrada e menos centrada nas potências tradicionais.
A União Africana mantém, assim, a sua ofensiva diplomática para garantir que a voz do continente seja finalmente reconhecida e integrada de forma permanente nas decisões que moldam a paz e a segurança mundial.
