O delta do rio Níger, no sul da Nigéria, está entre as regiões “mais poluídas do planeta”, devido a décadas de derrames de petróleo e degradação ambiental associada à exploração petrolífera, segundo denúncias da organização Amnesty International.
O alerta foi reforçado por organizações não-governamentais à margem da assembleia geral de acionistas da petrolífera Shell, realizada em Londres, onde ativistas e defensores ambientais voltaram a chamar a atenção para o impacto das atividades petrolíferas na região.
De acordo com as denúncias apresentadas, a exploração contínua de petróleo no delta do Níger tem provocado graves consequências ambientais e sociais, incluindo contaminação de solos e águas, destruição de ecossistemas e impactos diretos sobre comunidades locais que dependem da pesca e da agricultura.
A investigação e monitorização deste fenómeno têm sido acompanhadas há várias décadas por especialistas e investigadores, incluindo a académica britânica de origem nigeriana Kathryn Nwajiaku-Dahou, que estuda o impacto da poluição petrolífera na região há cerca de 30 anos e atualmente integra o centro de estudos ODI Global.
Segundo a especialista, a situação no delta do Níger reflete um problema estrutural de longa duração, marcado por sucessivos episódios de derrames de petróleo e dificuldades na sua contenção e reparação ambiental.
As organizações ambientais e de direitos humanos têm aproveitado encontros com acionistas e investidores do setor energético para pressionar empresas petrolíferas a reforçar medidas de prevenção, compensação e responsabilização pelos danos ambientais causados ao longo das últimas décadas.
O caso do delta do Níger continua a ser apontado como um dos mais graves exemplos globais de degradação ambiental associada à indústria petrolífera, mantendo-se no centro do debate internacional sobre transição energética, responsabilidade corporativa e justiça ambiental.
