Pequim – O Ministério do Comércio da China anunciou nesta quarta-feira os resultados preliminares das recentes consultas econômicas e comerciais realizadas entre a China e os Estados Unidos, num movimento considerado um importante sinal de reaproximação entre as duas maiores economias do mundo.
Segundo as autoridades chinesas, os dois países chegaram a um entendimento inicial para discutir um acordo-quadro recíproco de redução tarifária sobre produtos equivalentes avaliados em mais de 30 bilhões de dólares de cada lado.
O mecanismo deverá ser desenvolvido no âmbito de um conselho comercial bilateral, criado para reforçar o diálogo econômico entre Pequim e Washington após os recentes contactos de alto nível entre os dois governos.
De acordo com o Ministério do Comércio chinês, o objetivo das negociações é reduzir tensões comerciais e facilitar o fluxo de produtos estratégicos entre os dois mercados, após vários anos marcados por disputas tarifárias, restrições comerciais e desacordos geopolíticos.
Outro ponto de destaque das consultas envolve o setor aeronáutico.

A China confirmou que irá adquirir 200 aeronaves da fabricante norte-americana Boeing, respeitando os princípios comerciais e as necessidades do desenvolvimento do transporte aéreo chinês.
O acordo representa um avanço significativo nas relações comerciais entre os dois países, especialmente para a indústria aeronáutica norte-americana, que busca recuperar espaço no mercado chinês após anos de limitações provocadas pelas tensões diplomáticas e comerciais.
Além da compra das aeronaves, os Estados Unidos deverão garantir o fornecimento de motores e componentes aeronáuticos necessários para a operação e manutenção dos aparelhos.
As consultas econômicas também abordaram questões ligadas ao comércio agrícola bilateral, incluindo a possibilidade de ampliação das importações chinesas de produtos agrícolas norte-americanos e a redução de determinadas barreiras comerciais não tarifárias.
No setor estratégico de minerais críticos, Pequim reiterou que os controles de exportação sobre terras raras e outros recursos minerais continuam em vigor e seguem as leis e regulamentos chineses.
No entanto, o governo chinês informou que continuará analisando pedidos de licenças de exportação destinados a uso civil e considerados compatíveis com os regulamentos nacionais.
As terras raras tornaram-se um dos principais pontos de disputa entre China e Estados Unidos devido à importância desses minerais para as indústrias tecnológica, militar, automotiva e de semicondutores.
Analistas internacionais consideram os entendimentos anunciados nesta quarta-feira como um sinal de redução gradual das tensões econômicas entre Pequim e Washington, embora ambas as partes reconheçam que os acordos ainda se encontram numa fase preliminar e dependem de novas negociações para sua implementação definitiva.

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