Pequim,- A Rússia e a China deram mais um passo no fortalecimento das suas relações estratégicas durante uma reunião de alto nível realizada esta quarta-feira em Pequim entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro chinês, Li Qiang.

O encontro ocorre num contexto internacional marcado por profundas mudanças geopolíticas e pelo reposicionamento das grandes potências mundiais.
Moscovo e Pequim procuram ampliar a sua cooperação económica, tecnológica e diplomática, reforçando mecanismos considerados essenciais para os interesses estratégicos dos dois países.
Durante a reunião, Putin classificou as conversações anteriormente realizadas com o presidente chinês Xi Jinping como altamente produtivas, destacando a assinatura de um amplo pacote de documentos conjuntos. Segundo o líder russo, os acordos estabelecem diretrizes para uma nova fase da parceria bilateral e abrangem praticamente todos os setores considerados prioritários para os dois governos.

Entre os principais pontos discutidos está a continuidade do plano de cooperação económica entre Rússia e China até 2030.
As duas partes pretendem intensificar projetos conjuntos em setores estratégicos como energia, indústria, agricultura, transportes, logística, tecnologia espacial, inovação digital e inteligência artificial.
Apesar de alguns ajustes registados nos indicadores comerciais no final de 2025, Moscovo considera que o comércio bilateral voltou a apresentar crescimento significativo este ano.
As autoridades russas destacaram ainda a utilização crescente das moedas nacionais nas transações comerciais entre os dois países, medida que procura reduzir a dependência de mecanismos financeiros externos e aumentar a autonomia económica das duas nações.

A agenda abordou igualmente questões ligadas aos intercâmbios humanos e culturais. Os dois países pretendem ampliar iniciativas ligadas à cultura, cinema, turismo, desporto e programas de intercâmbio juvenil.
A facilitação da circulação entre cidadãos russos e chineses, através de medidas de flexibilização de vistos, foi apresentada como um instrumento importante para aproximar ainda mais as duas sociedades.

Outro anúncio relevante foi o lançamento oficial dos “Anos da Educação Rússia-China”, projeto bilateral destinado ao reforço da formação de especialistas e quadros em diversos setores, com destaque para áreas científicas e tecnológicas avançadas.
Analistas internacionais observam que o fortalecimento das relações entre Moscovo e Pequim ultrapassa o simples campo económico.
O aprofundamento desta parceria poderá influenciar diretamente a configuração das relações internacionais nos próximos anos, sobretudo num cenário global cada vez mais marcado por disputas de influência, sanções económicas e redefinição de alianças estratégicas.
