Libreville – O presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, abriu oficialmente, na manhã desta quarta-feira, uma consulta à porta fechada que reuniu representantes especiais, altos representantes e representantes permanentes da presidência da organização continental, num encontro preparatório para o 17.º Retiro de Alto Nível sobre a Promoção da Paz, Segurança e Estabilidade em África, que decorre em Libreville.

Durante a cerimónia de abertura, Mahmoud Ali Youssouf destacou a necessidade de África assumir um papel mais ativo e influente no cenário internacional, defendendo que o continente não deve continuar a ser apenas objeto das relações internacionais, mas tornar-se um ator estratégico capaz de moldar soluções para os desafios africanos e globais.

O responsável observou que o atual contexto internacional é marcado por uma crescente fragmentação geopolítica, intensificação da competição estratégica entre potências e enfraquecimento do multilateralismo.

Segundo ele, esta realidade exige maior presença política da União Africana tanto no terreno quanto nos diferentes fóruns internacionais.

No seu discurso, o presidente da Comissão apelou igualmente ao fortalecimento dos mecanismos estratégicos regionais, ao reforço da diplomacia preventiva e a uma maior aproximação entre os diversos instrumentos diplomáticos africanos e o Conselho de Paz e Segurança da União Africana.

Mahmoud Ali Youssouf sublinhou ainda a importância de uma coordenação diplomática mais eficiente entre as representações africanas nas principais capitais e centros multilaterais onde a União Africana mantém presença, entre os quais Bruxelas, Genebra, Nova Iorque, Pequim e Cairo.

Apesar das limitações financeiras enfrentadas pela organização, reafirmou o compromisso contínuo da União Africana com a promoção da paz, da estabilidade e da implementação da iniciativa “Silenciar as Armas”, considerada uma das prioridades estratégicas do continente para reduzir conflitos e fortalecer a segurança coletiva.

O dirigente insistiu igualmente na necessidade de África falar com uma só voz nas grandes questões internacionais, reforçando a unidade política do continente diante dos desafios globais.O retiro, que terá duração de três dias, contará também com a participação do Painel dos Sábios da União Africana e incluirá uma sessão específica com representantes do Secretário-Geral das Nações Unidas envolvidos em assuntos africanos.

A reunião acontece num momento em que diversas regiões africanas continuam a enfrentar desafios ligados à segurança, conflitos armados, instabilidade política e pressões económicas, reforçando a urgência de estratégias comuns e respostas coordenadas entre os Estados-membros.

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