São Tomé, — O número de eleitores inscritos para as eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe, agendadas para 19 de Julho, registou um crescimento significativo em relação ao último ciclo eleitoral, embora alguns círculos da diáspora africana tenham apresentado uma redução do universo eleitoral, com destaque para Angola.
Dados preliminares divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN) indicam que pelo menos 142.298 cidadãos encontram-se inscritos nos cadernos eleitorais, representando um aumento de cerca de 19 mil eleitores face aos registos utilizados nas eleições anteriores.

A actualização dos números continua em curso, pelo que a instituição eleitoral prevê divulgar novos dados após a conclusão dos processos de validação e depuração dos cadernos eleitorais.
De acordo com a CEN, 121.771 eleitores estão registados em território nacional, enquanto 20.525 pertencem aos diferentes círculos eleitorais da diáspora. Entre os eleitores inscritos, as mulheres representam 51,05% do total, enquanto os homens correspondem a 48,95%.
Os dados revelam igualmente uma forte presença do eleitorado jovem. Cerca de 47,7% dos eleitores têm idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos, um indicador que poderá influenciar a dinâmica da campanha eleitoral e as prioridades dos candidatos.
No plano interno, o distrito de Água Grande continua a concentrar o maior número de eleitores, seguido por Mé-Zóchi. Já no exterior, a comunidade são-tomense residente em Portugal mantém-se como o principal núcleo eleitoral da diáspora, tendo registado um crescimento expressivo em comparação com os dados anteriores.
Em contrapartida, alguns círculos eleitorais localizados em África registaram uma diminuição do número de inscritos.

Entre estes destaca-se Angola, país que historicamente acolhe uma das mais importantes comunidades são-tomenses no continente africano. Embora a Comissão Eleitoral Nacional ainda não tenha divulgado uma análise detalhada das causas da redução, especialistas apontam factores como a actualização dos registos, mudanças de residência, regularização documental e eliminação de inscrições inactivas como possíveis explicações para a tendência observada.
O presidente da Comissão Eleitoral Nacional, Jeudiger Nascimento, esclareceu que os números actualmente disponíveis permanecem provisórios, uma vez que o processo de saneamento dos cadernos eleitorais continua em execução. Entre as medidas em curso está a retirada de registos de cidadãos que perderam capacidade eleitoral activa ou que apresentam situações administrativas pendentes.
As eleições presidenciais de Julho decorrem num momento politicamente relevante para o arquipélago, que se prepara igualmente para realizar eleições legislativas, autárquicas e regionais em Setembro.

O calendário eleitoral coloca São Tomé e Príncipe perante um dos períodos de maior mobilização democrática dos últimos anos.
Analistas consideram que o crescimento global do eleitorado poderá reforçar a legitimidade do próximo Presidente da República, ao mesmo tempo que evidencia a crescente importância da diáspora no processo político nacional.

A evolução dos números finais do recenseamento será acompanhada com particular atenção pelas forças políticas, uma vez que poderá influenciar estratégias de campanha e a mobilização dos eleitores dentro e fora do país.
A Comissão Eleitoral Nacional deverá divulgar nas próximas semanas a versão definitiva dos cadernos eleitorais, documento que determinará o número exacto de cidadãos habilitados a participar na eleição presidencial de 19 de Julho.

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