O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, disse, esta sexta-feira, em Camanongue (província do Moxico), que o país começa a ser auto-suficiente em alguns produtos agrícolas, mas continua excessivamente dependente na importação de arroz, açúcar e trigo.
José de Lima Massano, que discursava na abertura do ano agrícola 2025/2026, referiu que para incentivar a produção de várias culturas foi lançado o PlanaGrão, para o qual estão reservados cerca de dois milhões de hectares visando investimentos em escala.
Reconheceu que o país ainda continua a ser excessivamente dependente da importação de alguns produtos, como arroz, açúcar e trigo, tendo sido lançado o PlanaGrão para permitir investimentos em escala.
No âmbito do PlanaGrão, anunciou o projecto “Nosso Grão”, que vai concorrer para a composição da Reserva Estratégica Alimentar, com arroz e trigo produzidos em Angola.
O projecto, sublinhou, a ser operacionalizada pelo Entreposto Aduaneiro de Angola, gestor da Reserva Estratégica Alimentar, conta com a cobertura institucional dos Ministérios da Agricultura e Florestas e da Indústria e Comércio, com suporte financeiro do Banco de Desenvolvimento de Angola e do FADA.
A primeira fase do projecto vai ser desenvolvida nas províncias do Uíge, Malanje, Bié, Huambo, Moxico e Moxico Leste, essencialmente com envolvimento de produtores familiares, preferencialmente associados em cooperativas agrícolas.
“Temos municípios em que a oferta já supera o consumo local, fazendo com que se comece a ter alguma auto-suficiência e excedentes que estão a dinamizar o comércio rural”, enfatizou José de Lima Massano, tendo destacado que “nas bancadas dos mercados informais ou nas prateleiras dos estabelecimentos formais são os bens alimentares produzidos no país que dominam a oferta”.
Enfatizou que a batata-doce e rena, mandioca, massango, massambala, milho, feijão e hortícolas são culturas em que a autonomia mais avança, revelando que, na campanha agrícola 2024/2025, Angola produziu mais de 30,5 milhões de toneladas de produtos diversos, das quais destacam-se 3,7 milhões de toneladas de cereais.
Realçou que o aumento da produção agrícola está a ter um impacto positivo na indústria alimentar, onde se verificou o crescimento de cerca de 60 por cento no processamento de alimentos, nos últimos 12 meses, além da promoção de investimentos em novas unidades de processamento e a reactivação das que se encontravam paralisadas.
Actualmente, a agricultura representa cerca de 19 por cento de toda a produção nacional, contra 13 por cento, em 2017, com uma taxa de crescimento médio seis por cento, sendo a actividade produtiva que engaja o maior número de famílias angolanas, cerca de 3,2 milhões.
Reconheceu ser um dos pilares mais estruturantes do percurso de diversificação da economia angolana e da inclusão social, por isso a atenção em melhorar o apoio aos produtores agrícolas e pecuários, independentemente da sua dimensão.
Realçou que existem ainda muitos desafios, nas áreas de infra-estruturas de várias naturezas, conhecimento, acesso à terra, disponibilidade de insumos e financiamento para os produtores.
Adiantou que o país tem avançado na oferta de sementes e insumos agrícolas, assim como se observa uma nova dinâmica na montagem de equipamentos de mecanização, com o sistema financeiro mais receptivo aos agricultores e pecuaristas.
No domínio das infra-estruturas de apoio, destacou o aumento da oferta de água para fins produtivos e consumo animal com novos canais, como é o caso do Cafu, e recuperação de represas, no Namibe.
Manifestou preocupação com as insuficiências nas vias de acesso e nas condições de armazenamento e de transporte, que pesam na estrutura de custo dos produtos nacionais.
A título de exemplo, deu a conhecer que, no corrente mês, iniciaram as obras no troço rodoviário Luena-Leúa-Lumeje, para ligar as províncias da Moxico e Moxico Leste, e, em 2026, vai ser lançado o percurso Luena-Munhango, em direcção ao Bié, para permitir conectar por estrada o Corredor do Lobito.
Com a acção das cerca de nove mil escolas de campo e com o apoio de parceiros internos e externos, disse, estão a ser promovidas técnicas de cultivo para melhorar o rendimento agrário e pecuário das famílias, bem como a incentivar o associativismo e o cooperativismo, como forma de apoiar a transição de uma produção de subsistência para a voltada ao mercado.
“O nosso país, pelas condições climáticas, disponibilidade de solos férteis, força de trabalho jovem, entre outros factores, tem de ser capaz de acelerar a sua capacidade produtiva de bens essenciais de consumo”, salientou.
Entre os progressos registados, José de Lima Massano disse que tem aumentado a oferta de sementes e insumos agrícolas, observando-se uma nova dinâmica na montagem de equipamentos de mecanização e maior abertura do sistema financeiro aos agricultores e produtores pecuários.
O ano agrícola 2025/2026 iniciou sob o lema “Reconversão dos sistemas agro-alimentares como garante do aumento de rendimentos e alcance da segurança alimentar e nutricional”, tendo o programa incluido o lançamento de sementes a terra e a plantação de árvores, assim como a realização de um workshop técnico e uma feira e exposição agro-pecuária e a entrega de máquinas, tractores e insumos agrícolas financiados pelo Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrícola (FADA).
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