Moscovo – O Presidente da Rússia e Comandante Supremo das Forças Armadas da Federação Russa, Vladimir Putin, destacou esta semana o sucesso do mais recente teste do míssil estratégico Sarmat, reafirmando o compromisso de Moscovo com o reforço contínuo das suas capacidades de dissuasão nuclear e da sua segurança estratégica diante do atual cenário internacional.

Durante uma videoconferência com o comandante das Forças de Mísseis Estratégicos russas, Sergei Karakayev, Putin recebeu um relatório sobre o teste bem-sucedido do sistema realizado a 12 de maio, classificando o programa de modernização militar como uma resposta necessária às transformações do equilíbrio estratégico global nas últimas duas décadas.
Segundo o chefe de Estado russo, a decisão de acelerar o desenvolvimento de sistemas avançados de armamento foi impulsionada pela retirada dos Estados Unidos, em 2002, do Tratado sobre Mísseis Antibalísticos (ABM), medida que, segundo Moscovo, alterou significativamente a arquitetura internacional de segurança e obrigou a Rússia a garantir a preservação da paridade estratégica.
Putin afirmou que, desde então, a Rússia tem vindo a desenvolver, de forma progressiva, sistemas militares sem equivalentes no mundo, concebidos para superar tanto os atuais como futuros sistemas de defesa antimíssil.Entre os principais programas destacados pelo Presidente russo estão o sistema hipersónico intercontinental Avangard, em serviço desde 2019; o míssil hipersónico aéreo Kinzhal, operacional desde 2017 e já utilizado em operações militares; bem como o sistema terrestre de médio alcance Oreshnik, colocado em prontidão operacional desde 2025.
O líder russo referiu ainda que estão em fase final de desenvolvimento dois sistemas estratégicos movidos por unidades compactas de propulsão nuclear : o veículo submarino não tripulado Poseidon e o míssil de cruzeiro de alcance global Burevestnik.
No centro das declarações esteve, porém, o míssil Sarmat, apresentado por Moscovo como o sistema balístico mais poderoso atualmente em desenvolvimento no mundo.
De acordo com Putin, o Sarmat possui uma capacidade destrutiva superior a quatro vezes à do mais potente sistema ocidental comparável e distingue-se pela possibilidade de operar não apenas em trajetória balística tradicional, mas também em trajetória suborbital.Segundo as autoridades russas, esta característica permite ao sistema ultrapassar os 35 mil quilómetros de alcance operacional, aumentar significativamente a precisão e contornar qualquer sistema de defesa antimíssil existente ou em desenvolvimento.As declarações de Vladimir Putin surgem num contexto de crescente tensão entre Moscovo e os países ocidentais, particularmente no domínio da segurança estratégica e da corrida tecnológica militar, sendo interpretadas por analistas como uma reafirmação da política de dissuasão nuclear da Rússia e uma mensagem dirigida aos Estados Unidos e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
A modernização do arsenal estratégico russo continua, assim, a posicionar-se como um dos pilares centrais da política de defesa do Kremlin, num momento em que as principais potências globais reforçam investimentos em capacidades militares avançadas.
