Uma proposta apresentada hoje no Parlamento Europeu insta a União Europeia rever os seus acordos com a Guiné-Bissau, condena o golpe de Estado e exige a libertação dos presos políticos.
A resolução, que deverá ser aprovada na votação de sexta-feira no Parlamento Europeu, conta com o apoio de seis grupos parlamentares, com excepção dos grupos parlamentares de direita radical, incluindo o Patriotas pela Europa, onde se insere o Chega.
O sétimo ponto da proposta “insta a UE a rever imediatamente os seus acordos e financiamentos, a garantir que os fundos de cooperação não reforçam a junta e outras estruturas autoritárias e a dar prioridade ao apoio à sociedade civil democrática”.
Os eurodeputados portugueses de PS, PSD, PCP, IL e a eurodeputada portuguesa eleita nos Países Baixos pelos Verdes, discursaram perante Parlamento Europeu e todos condenaram o golpe de Estado, sublinhando também a urgência da UE rever os acordos que celebra com o país.
Em declarações à Lusa, a eurodeputada do PS, Marta Temido, referiu que embora Portugal se preocupe com o destino dos “povos irmãos” há, no entanto, uma dimensão superior que se trata da “ruptura de um processo eleitoral”.
Acima de tudo há uma “vontade de colaborar para que o mais depressa possível haja um regressar à normalidade, começando por se libertarem as pessoas, que são muitas, que estão incontactáveis e detidas”.
Durante o seu discurso no hemiciclo sublinhou que a Guiné-Bissau vive a “ruptura do seu Estado de direito” e “uma campanha de terror”.
O eurodeputado social-democrata, Hélder Sousa Silva, também destacou a importância da libertação de todos os detidos, condenando “as violações de direitos humanos contra manifestantes e jornalistas” e o “uso desproporcional da força relativamente às forças de segurança contra a população”.
Durante o seu discurso no Parlamento Europeu, Hélder Sousa Silva, exigiu que fossem publicados os resultados das eleições e o levantamento de todas as restrições impostas à imprensa.
“É imperativo que a UE reveja os acordos com a Guiné-Bissau”, afirmou a eurodeputada da IL, Ana Vasconcelos, frisando que não quer que “o dinheiro dos europeus” sirva a junta militar.
O eurodeputado comunista, João Oliveira, realçou igualmente a importância da União Europeia rever os fundos e os acordos que existem com a Guiné-Bissau para que “não acabem por sustentar o reforço de estruturas de natureza autoritária que possam levar por diante operações desta natureza”.
Ainda assim, o eurodeputado do PCP admite que procurou apresentar uma proposta que “fosse mais desenvolvida” e “mais ao fundo das relações que a União Europeia vai mantendo com alguns dos países de língua portuguesa”.
A proposta de resolução que será votada esta quinta-feira exige também “a libertação imediata e incondicional dos líderes políticos da oposição Domingos Simões Pereira, Octávio Lopes, Marciano Indi e Roberto Mbesba”.
Ainda na quarta-feira, o Parlamento português condenou, por unanimidade, o golpe de Estado na Guiné-Bissau de 26 de Novembro, considerando urgente o regresso à normalidade política e constitucional naquele país lusófono.
O voto de condenação, apresentado pelo PS, foi aprovado por unanimidade na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.
As eleições gerais, presidenciais e legislativas guineenses decorreram sem incidentes, a 23 de Novembro, mas na véspera da divulgação dos resultados oficiais, um tiroteio em Bissau antecedeu a tomada do poder pelo Alto Comando Militar que nomeou como Presidente de transição o general Horta Inta-A.
O general anunciou que o período de transição terá a duração máxima de um ano e nomeou como primeiro-ministro e ministro das Finanças Ilídio Vieira Té, antigo ministro de Embaló.
Um novo Governo de transição foi, entretanto, empossado, com nomes do executivo deposto e cinco militares entre os 23 ministros e cinco secretários de Estado.
No golpe, o líder do PAIGC, Simões Pereira, foi detido e a tomada de poder pelos militares está a ser denunciada pela oposição como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.
Na sequência deste golpe, a Guiné-Bissau foi suspensa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) e da União Africana (UA).
Na terça-feira, a CPLP, após suspender a Guiné-Bissau das suas actividades, elegeu Timor-Leste para assumir temporariamente a presidência da organização.
Ataques letais antecedem pausa simbólica As últimas horas foram marcadas por uma intensificação dos bombardeamentos…
Dans le cadre de sa campagne au poste de Secrétaire générale de l’Organisation internationale de…
Um braço de ferro judicial em torno das políticas de transformação Na África do Sul,…
A fratura no seio da oposição angolana ganha novos contornos públicos e cada vez mais…
O artista congolês Fally Ipupa escreveu uma das páginas mais marcantes da história recente da…
Num contexto de fortes tensões geopolíticas no Médio Oriente, a FIFA mantém uma posição firme:…